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O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, anunciou que a renegociação de dívidas permitirá que os estados brasileiros invistam R$ 20 bilhões a mais por ano a partir de 2026. Em uma coletiva à imprensa, ele explicou como o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) funcionará e seu impacto nas finanças estaduais. As novas regras, que começam a valer amanhã, visam aumentar investimentos sem afetar diretamente os resultados financeiros dos estados.
- Estados poderão investir R$ 20 bilhões a mais por ano com o novo programa.
- Redução dos limites de crédito evitará impacto financeiro nos estados.
- A regulamentação do programa será publicada em breve.
- União perderá entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em juros, mas não afetará o resultado primário.
- Recursos do Fundo de Equalização Federativa ajudarão estados em áreas como educação e segurança.
Renegociação de Dívidas dos Estados: Um Novo Horizonte para Investimentos
O Que É o Propag?
Recentemente, foi sancionado o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados, conhecido como Propag. Este programa permitirá que os estados brasileiros possam investir até R$ 20 bilhões a mais anualmente a partir de 2026, segundo Rogério Ceron.
Como Funciona a Renegociação?
Na coletiva de imprensa, Ceron explicou que a implementação do Propag não deve impactar negativamente o resultado primário dos estados. Para cada real a mais que os estados poderão investir, haverá uma redução nos limites de crédito que os governos estaduais podem obter no sistema financeiro, equilibrando os efeitos financeiros do programa sobre os cofres estaduais.
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Publicação e Prazo de Adesão
A regulamentação do Propag será divulgada no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 15 de novembro. Os estados terão até 31 de dezembro para se inscrever no programa, essencial para que possam se beneficiar do aumento no investimento.
O Impacto dos Investimentos
Ceron destacou que, embora a proposta sugira um aumento significativo nos investimentos, isso não significa que haverá um aumento real de R$ 20 bilhões em gastos primários. Muitos investimentos realizados atualmente são financiados por operações de crédito, e a redução dos limites de crédito pode diminuir a capacidade de novos investimentos.
Limites de Crédito e Aprovação do Conselho
Todos os anos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define o teto de crédito que estados e municípios podem contrair. A diminuição desses limites precisa ser aprovada pelo Conselho, influenciando a capacidade de investimento dos estados.
Impacto nos Cofres Federais
O secretário também mencionou que a União deixará de receber entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões anualmente em juros das dívidas dos estados. No entanto, essa perda não afetará o resultado primário do governo, que é calculado sem considerar os juros da dívida pública, utilizado para avaliar o cumprimento das metas fiscais.
O Que Acontece com o Dinheiro Não Recebido?
O valor que o governo federal não receberá afetará as operações financeiras que impactam a dívida pública líquida, que é a diferença entre o que a União deve e o que tem a receber. Contudo, essa quantia não será contabilizada no resultado primário da União, permitindo que o governo mantenha suas metas fiscais.
Benefícios do Propag
O Propag oferece descontos nos juros e a possibilidade de parcelar o saldo das dívidas estaduais em até 30 anos. Em troca, os estados que optarem por participar do programa deverão contribuir com recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que destinará verbas para todos os estados que aderirem, focando em áreas como educação, segurança pública, saneamento, habitação e transporte.
Administração do FEF
O FEF será gerido pelo Banco do Brasil e terá uma estrutura de distribuição de recursos que visa beneficiar estados menos endividados. 20% dos recursos serão alocados de acordo com a menor dívida estadual, enquanto 80% serão distribuídos conforme os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Previsões de Arrecadação
Ceron afirmou que ainda não existem estimativas concretas sobre quanto o FEF poderá arrecadar, pois isso dependerá do número de estados que decidirem aderir ao Propag. A intenção é que estados com menos dívidas e que são bons pagadores sejam recompensados com mais investimentos em áreas essenciais.
Amortização de Dívidas
Adicionalmente, o Propag permite que os estados possam amortizar até 20% do saldo devedor oferecendo ativos à União, como empresas estatais locais, royalties de petróleo, imóveis, créditos a receber e dívidas ativas estaduais ou distritais. Essa troca possibilita que os estados tenham menos contrapartidas em investimentos diretos e diminuam suas contribuições ao FEF.






