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Carlão diz que recorrerá de decisão da Câmara

Carlão diz que recorrerá de decisão da Câmara
Tucano } Ex-prefeito governou por duas gestões

O ex-prefeito de Cotia Carlão Camargo (PSDB) sofreu uma dura derrota na Câmara Municipal na terça-feira (23). Por 12 votos e uma abstenção, os parlamentares decidiram rejeitar as contas do ex -mandatário, com relação ao exercício de 2013. A Casa seguiu o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) [abaixo].


Carlão afirmou ao Giro S/A que irá recorrer e que foi surpreendido pela ação dos parlamentares. "É uma surpresa porque a gente nem estava sabendo do julgamento. Estou preparando um recurso e vamos tomar as medidas judicias. Não teve defesa, foi aquele atropelo".


A votação ganha importância, pois o processo pode tornar Carlão inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa, que impede que se candidatem políticos com contas rejeitadas.


O tucano evitou falar sobre a influência política no julgamento. A maioria dos parlamentares atuou em sua gestão no passado, mas oito dos 13 vereadores apoiaram na eleição o ex-prefeito Quinzinho Pedroso (PSB), que rompeu com Carlão ao ver o tucano apoiar o prefeito Rogério Franco (PSD) na disputa.


No entanto, até vereadores eleitos ao lado do grupo de Franco foram favoráveis a rejeição.


"A Câmara tem autonomia para fazer seus julgamentos, claro que recebi o resultado até com tristeza, mas respeito a posição do legislativo", afirmou Franco.


Processo causou polêmica

A votação das contas do ex-prefeito Carlão Camargo (PSDB) causou polêmica nas semanas que antecederam o processo. A Câmara chegou a emitir uma nota oficial e a fazer um boletim de ocorrência contra os boatos de que houve uma negociação em dinheiro para aprovar o parecer. "O que vocês estão esperando vai acontecer, não por pressão popular, mas porque cada vereador aqui tem responsabilidade com o município", afirmou o presidente da Casa, Paulinho Lenha (PSB), ainda antes da votação.


Gasto de ex-prefeito de Cotia na educação foi um dos pivôs

O Tribunal de Contas recomendou a rejeição das contas do ex-prefeito Carlão Camargo sobre 2013, por considerar que não houve a aplicação de 25% dos recursos na educação. A corte afirmou que houve gestão "errática" das contas bancárias e da dívida ativa. O TCE cita também que havia servidores em comissão sem atribuição de direção e que o planejamento orçamentário foi insuficiente. O gestor se defendeu na corte e negou irregularidades. Alegou que houve gastos de manutenção na área da educação que deveriam ser considerados e que promoveu uma reforma administrativa no período. Também nega que o planejamento foi insuficiente.


'Legislativo ultrapassou prerrogativas'

Em nota, o advogado do prefeito Carlão Camargo (PSDB), Francisco Roque Festa afirmou que as garantias constitucionais não foram respeitadas pelo legislativo. "As irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas são formalidades. No julgamento, o legislativo ultrapassou suas prerrogativas ao dizer quais foram os atos de improbidade cometidos pelo ex-prefeito e isso é inaceitável", destacou. A defesa alega também que requerimentos não foram considerados pelo legislativo, o que a Câmara nega. "Fizemos um requerimento para que intimassem as testemunhas, produzissem as provas e a prerrogativa de alegações finais e sustentação oral, o que não ocorreu".