Após confronto com a polícia em Paraisópolis, moradores relatam clima de tensão e protestos com incêndios e ataques a motoristas
A comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, amanheceu nesta sexta-feira (11) sob forte presença policial, após uma noite marcada por tensão, violência e confrontos com a Polícia Militar que deixaram dois mortos, um policial ferido e diversos focos de incêndio nas ruas da região.
A operação começou na tarde de quinta-feira (10), quando a PM foi acionada por denúncia de homens armados na Rua Rudolf Lotze. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), durante a abordagem, três suspeitos tentaram fugir para dentro de uma residência. Um jovem de 24 anos foi baleado e morreu no local, enquanto outros dois foram presos. Com eles, a polícia afirma ter apreendido armas de fogo, carregadores, drogas, dinheiro e celulares.

Após essa ação policial que terminou com um suspeito morto, uma onda de violência se espalhou pelas ruas de Paraisópolis após protestos de moradores. Segundo a SSP, policiais foram recebidos a tiros em um segundo ponto da comunidade. Um agente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) foi baleado e socorrido ao Hospital Albert Einstein. Outro suspeito, de 29 anos, também foi atingido e morreu. Sua identidade, no entanto, não foi divulgada.
Durante a noite e a madrugada, imagens registradas por moradores e motoristas mostraram grupos armados com paus e pedras atacando veículos nos arredores da Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, bairro vizinho. Um veículo chegou a ser virado por manifestantes. A chegada das viaturas dispersou o grupo.
À noite, pelo menos 20 focos de incêndio foram registrados nas imediações da favela, atingindo locais como a Praça Moacir Nicodemus e a Rua Doutor Flávio Américo Maurano. A situação levou ao reforço imediato no policiamento e à instalação de barreiras táticas nas entradas e saídas da comunidade.
Investigações em andamento
A SSP informou que as duas ocorrências estão sendo investigadas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Polícia Militar, que também instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos. As imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais estão sendo analisadas para esclarecer as circunstâncias das mortes.
Ainda segundo a secretaria, os dois mortos tinham passagens anteriores pela polícia. Um deles, o jovem de 24 anos, já havia sido apreendido três vezes quando menor de idade por envolvimento com tráfico de drogas.

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