Em pouco mais de um mês, a Igreja Mundial do Poder de Deus foi condenada 15 vezes pela Justiça de São Paulo. Fundada pelo morador de Alphaville, o apóstolo Valdemiro Santiago, as sentenças são referentes a divididas de imóveis alugados pela instituição religiosa. As informações foram divulgadas na terça-feira (5), pelo jornalista Rogério Gentile, do “Uol”.
Entre 23 de maio e 21 de junho, foram 15 processos, que somam R$ 2,5 milhões em débitos. Segundo Gentile, os espaços alugados eram utilizados como templos, estacionamentos para os cultos e casa para os pastores. Os litígios possuem condenações em primeiras instâncias e foram divulgados no “Diário da Justiça”.
Numa das ações, um comerciante da cidade de Mogi Guaçu, interior do estado de São Paulo, alugou um imóvel para a Igreja Mundial em 2014. Segundo a ação, desde 2019, os valores combinados em contrato não foram pagos. Em virtude disso, o juiz Roginer Garcia Carniel sentenciou a entidade a pagar R$ 381 mil ao comerciante, valor que terá acréscimo de juros e correção monetária.
Em outro caso, um funileiro cobra a comunidade religiosa por uma dívida de cerca de R$ 20 mil. Os rendimentos são referentes a diversos alugueis não pagos de um imóvel em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. No pedido encaminhado à Justiça, o requerente afirma estar desempregado e vivendo de “bicos”, e pelo fato da Igreja Mundial não ter pagado a locação, está lhe gerando diversos transtornos.
“Em contrapartida, a igreja arrecada doações vultuosas e, mesmo com a pandemia, continua a arrecadar. Ressalta-se que as arrecadações ocorrem não apenas nos templos, mas também nos programas de televisão e pelo site”, afirmou seu advogado à Justiça Paulista. Com isso, o juiz Rodrigo Campos condenou a igreja a fazer o pagamento do valor, também acrescido de juros e correção monetária.
Como defesa, ainda segundo Gentile, a Igreja Mundial afirmou que é uma instituição sem fins lucrativos e que está passando dificuldades financeiras devido à pandemia do coronavírus. “Todas as igrejas do Brasil foram compelidas a fechar as portas”, afirmou à Justiça. “Sem a realização de atividades religiosas, houve uma drástica diminuição da arrecadação, uma vez que os fiéis restaram impedidos de frequentar os templos”, declarou.
Em seu site, a Igreja Mundial afirma ter cerca de seis mil templos espalhados por todo o Brasil. A organização religiosa revelou, de acordo com Rogério Gentile, que não nega as dívidas e processos, mas questiona os valores apresentados pela Justiça. Os recursos ainda não foram Julgados.







