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Idosos: especialistas explicam como envelhecer com qualidade

O crescimento dos idoso no Brasil reforça a necessidade de cuidados contínuos, prevenção de doenças crônicas e acesso facilitado a especialistas.
O aumento da longevidade reflete uma combinação de fatores como uma melhor alimentação (Marcelo Camargo/Agência Brasil

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 6a posição mundial em número de pessoas idosas, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Japão e Rússia. O aumento da longevidade reflete uma combinação de fatores — melhor alimentação, prática regular de exercícios e avanços na medicina. No entanto, envelhecer também traz desafios.

“O maior deles é lidar com a multimorbidade, ou seja, a presença de várias doenças crônicas ao mesmo tempo, e com a polifarmácia, o uso excessivo de medicamentos”, explica a médica geriatra, Graziela Ivanov, da Rede de Hospitais São Camilo.

A médica reforça que controlar as doenças crônicas é fundamental para garantir um envelhecimento ativo. “Doenças não controladas são a principal ameaça à independência do idoso, pois aumentam o risco de complicações e incapacidades”, afirma. Segundo o geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Leonardo Oliva, uma dúvida comum é o momento ideal para buscar o acompanhamento de um geriatra.

Quando o idoso deve procurar um especialista

“A idade certa para procurar um geriatra é quando a pessoa decide que quer envelhecer bem. Começamos a envelhecer aos 30, 35 anos. O geriatra ajuda a tomar decisões ao longo da vida que impactam diretamente como se chegará à terceira idade”, destaca.

O médico enfatiza que cerca de 20% do envelhecimento está ligado à genética, outros 20% ao ambiente e 60% às escolhas pessoais — o que reforça a importância de cuidados preventivos.

Outra dúvida recorrente quando o assunto é envelhecimento, é quando se procurar um geriatra. Segundo Dr. Oliva, a idade certa para se procurar um geriatra é quando a pessoa decide que quer envelhecer bem. Ele afirma que não há um marco etário para iniciar o acompanhamento geriátrico, mas que muitas pessoas imaginam que só podem ir ao geriatra para idosos, após os 60 anos, o que não é verdade.

“O geriatra tem um papel importante na saúde dos indivíduos mais jovens. Começamos a envelhecer por volta dos 30, 35 anos e para essa população o geriatra acaba ajudando a tomar decisões ao longo da vida, que influenciarão como essas pessoas chegarão à terceira idade”, diz.

Acompanhamento médico ajuda a envelhecer com autonomia (Divulgação/Freepik)

Já a dra. Grasiela Ivanov aponta que aspectos físicos da saúde, como também emocionais e psíquicos e outros problemas que fragilizar o idoso, devem ser levados em conta no momento de se procurar um especialista.

“Alguns sinais merecem atenção: quedas frequentes, perda de peso sem motivo aparente, alterações de memória, uso de muitos medicamentos, instabilidade emocional ou dificuldade para realizar atividades do dia a dia. É necessário reforçar que procurar um geriatra mesmo sem sintomas é importante para um acompanhamento preventivo e personalizado”, explica a médica.

A geriatra também ressalta que o acompanhamento médico de rotina não pode ser negligenciado. Consultas regulares, preferencialmente com um geriatra, e exames periódicos garantem a detecção precoce de doenças.

“O uso correto de medicamentos também merece atenção especial nessa fase da vida. A polifarmácia é frequente entre idosos e exige acompanhamento profissional para prevenir interações e reações adversas”, ressalta.

Saúde do idoso: como prolongar a vida

Exercícios ajudam na autonomia dos idosos (Divulgação/Pexels)

A dra. Grasiela destaca que a prática regular de exercícios é fundamental para promover a saúde e a longevidade na terceira idade. Segundo ela, a atividade física contribui para melhorar o equilíbrio, a força, a resistência, o humor e até as funções cognitivas.

“A atividade física regular ajuda a prevenir quedas, sarcopenia (perda de massa muscular), diabetes, hipertensão e depressão. O ideal é uma rotina combinando exercícios de força, equilíbrio e alongamento, sempre adaptada às condições de cada pessoa e com orientação profissional”, explica a médica.

Além disso, outras pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença na vida do idoso, alimentação equilibrada, sono de qualidade, prática regular de exercícios, controle do estresse e manutenção de vínculos sociais.

“Manter a mente ativa com leitura, jogos e novas aprendizagens é essencial para a saúde cerebral. Outro ponto importante é a rotina de consultas e exames preventivos, ajustados às necessidades individuais”, destaca.

A geriatra enfatiza que o apoio familiar é algo determinante na terceira idade. “Incentivar o idoso a manter sua autonomia, respeitar seu ritmo e oferecer companhia em atividades físicas ou consultas médicas fazem toda a diferença. É importante evitar a superproteção e estimular a participação ativa nas decisões sobre saúde. Os cuidadores também devem receber orientação profissional, para saber identificar sinais de alerta e ajudar na organização da rotina e dos medicamentos”, afirma Grasiela.

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