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Exposição sobre Jung no MIS-SP fica em cartaz até 18 de janeiro

Por meio de ambientes interativos, o evento permite o visitante tome contato vários trabalhos de Carl Jung, que completaria 150 anos em 2025.
Instalação Persona da exposição "A alma humana, você e o universo de Jung", do MIS (Divulgação/MIS-SP)

Segue em cartaz até o dia 18 de janeiro, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), na zona oeste da capital paulista, a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”. A mostra celebra o trabalho do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), que completaria 150 anos em 2025.

Por meio de ambientes interativos, o evento permite ao visitante tomar contato com vários trabalhos do autor, por meio de instalações criadas para dialogar em três diferentes dimensões, discutindo temas como saúde mental e psiquiatria.

Segundo estimativa global da OMS, o Brasil é o país com maior proporção de pessoas ansiosas do mundo, o que representa 9,3% da população, além de ser o segundo das Américas com maior prevalência de depressão. Para a mais contemporânea psiquiatria, passando pelos métodos heterodoxos de cura e ainda pelas mais antigas filosofias, o autoconhecimento é passo fundamental no reestabelecimento da saúde mental.

Exposição sobre Carl Jung: detalhes sobre os ambientes

Nos 550 m2 do primeiro andar do MIS, o visitante vai percorrer a psique humana de forma simbólica e imagética, por meio de instalações criadas para dialogar em três diferentes dimensões: a pedagógica, já que os conceitos criados ou trabalhados por Jung serão explicados de forma acessível; a sensorial, tendo em vista que cada instalação artística pode provocar sensações no visitante; e ainda a provocativa, já que sempre haverá uma pergunta convidando o público à introspecção, movimento necessário para o autoconhecimento.

A exposição começa nos Sintomas, onde o frequentador vai entrar, de fato, na psique humana. Isso porque, para Jung, tudo o que vive no inconsciente encontra uma forma de se manifestar. E o inconsciente costuma manifestar-se por meio dos sonhos, das sincronicidades, das expressões simbólicas e também pelos sintomas físicos, psíquicos, sociais e ambientais.

Para investigar simbolicamente a alma humana, o time de criadores da exposição convidou artistas e pensadores diversos para a produção das obras. Em Sintomas, o público vai escolher por qual caminho seguir (livrando-se rapidamente deles ou dialogando com os mesmos). Neste espaço, encontra frase emblemática de Tom Zé.

Jung foi um pensador interessado nas diferentes culturas e tradições (Divulgação/MIS-SP)

Inconsciente, o público conhece o conceito pela perspectiva junguiana e o que o diferencia de Freud. Na continuação desse espaço, o visitante encontra outros importantes fundamentos da obra de Jung, como Arquétipos e Imagens Arquetípicas (representados por obra de Moara Tupinambá); Mitos, quando um mesmo tema será retratado em cinco diferentes culturas e tradições (em obra de Tania Sassioto em parceria com a analista junguiana Daniela Euzébio); além de Anima e Animus, uma videoarte criada por Flavio Vieira em vídeo desenvolvido por Inteligência Artificial.

O percurso da exposição segue com o conceito de Persona, cuja obra foi criada com o trabalho de produção de 1260 máscaras de gesso, realizada voluntariamente pelos estudantes do IJEP; Ego encontra na exposição uma irreverente representação; em Expressões Simbólicas, o visitante vai conhecer o trabalho integrado da psiquiatra brasileira Nise da Silveira com Jung; a ferramenta analítica de Associação de Palavras ganha representação simbólica e interativa. Já a instalação sobre Sonhos conta com reflexões de Sueli Carneiro, Ailton Krenak, entre outros.

Um corredor foi dedicado à Alquimia, no qual o visitante encontra a obra “Decantador de sonhos”, de Mariana Guardani e ilustrações do “Rosarium Philoshoporum”, manual alquímico do século XVI, recriadas pela aquarelista Isabela Amado e com textos explicativos da psiquiatra e analista junguiana Célia Mello. A biografia de Jung é contada por fatos, mas também pelas viagens que realizou e por cinco sonhos que teve, em uma inédita Sonhografia, na qual o público terá acesso aos conteúdos dos sonhos e seus significados (criada pelo analista junguiano José Balestrini).

A exposição ainda conta com instalações relacionadas ao conceito de Sincronicidade e ao Livro Vermelho. Em ambas, obras do artista carnavalesco Victor Passos.

Muitas vozes

Jung foi um pensador interessado nas diferentes culturas e tradições. Já no século passado, desconfiou da ideia da hegemonia branca europeia. “Nós, os europeus, não somos as únicas criaturas do mundo. Somos apenas uma península da Ásia, e naquele continente há velhas civilizações onde as pessoas treinaram suas mentes em psicologia introspectiva durante milhares de anos, enquanto nós começamos com a nossa psicologia não ontem, mas hoje de manhã…”, afirmou o psiquiatra, que visitou mais de 15 países em busca da alma humana.

Foi essa busca que deu origem ao conceito de inconsciente coletivo. Apesar de ser ter colecionado títulos de Doutor Honoris Causa em Ciências nas mais prestigiadas Universidades do mundo (Harvard, Oxford, Clark, Calcutá, Sociedade Real de Medicina, entre outras), pelo destemor em dialogar com o que a ciência não explica, é ainda hoje taxado como místico.

Detalhes sobre ingressos e visitação

A exposição sobre Carl Jung pode ser visitada sempre de terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.

Às terças-feiras, a entrada é gratuita. De quarta a domingo: R$ 30 (inteira) e R$ 15,00 (meia); às terceiras quartas-feiras do mês, a entrada também é gratuita, por uma parceria com a B3. As vendas ocorrem na plataforma Megapass.  

Serviço
A alma humana, você e o universo de Jung
Data: até 18 de janeiro de 2026
Local: MIS-SP
Endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo
Horários: terças a sextas / 10h às 19h; sábados / 10h às 20h; domingos e feriados / 10h às 18h; a permanência até 1h após o último horário
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Terças: ingresso gratuito, retira apenas na bilheteria física do MIS Quarta B3: na terceira quarta-feira do mês, graças a uma parceria com a B3, a entrada também é franca.

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