O Doutrinador

Foto: Divulgação

O Doutrinador é um incrível filme sobre um anti-herói violento, com sede de vingança e justiça. É uma ótima adaptação dos quadrinhos e, caso você não saiba, é brasileiro! O cinema nacional está ganhando cada vez mais qualidade com filmes de gênero surpreendentes e muito bem produzidos, apesar dos longas de ação ainda serem raridade. Por isso mesmo é muito bom ver essa obra chegando aos cinemas, ainda mais pela incrível crítica que traz.

Baseado na HQ homônima criada por Luciano Cunha e adaptada para os cinemas por Gabriel Wainer, a trama mostra como Miguel (Kiko Pissolato), um agente federal de elite, se cansa da corrupção dentro do sistema e decide agir contra políticos e seus lacaios, se tornando um verdadeiro juiz, júri e executor de criminosos do governo.

O filme faz uma crítica social e política relevante, evidenciando o absurdo do sistema corrupto brasileiro, que funciona na base da maracutaia, acordos e desvio de verbas. É bem interessante ver um longa bater tão forte no status quo, mas o foco mesmo é a ação e a jornada do protagonista, que está no limiar entre ser um violento vilão e um herói do povo.

A história é um pouco padrão, mas a ver se desenrolar no Brasil, com tantos elementos que conhecemos de perto, traz algo novo para o espectador. Só que se você não dá a mínima para essa questão e espera algo inédito, é melhor tirar o cavalinho da chuva, afinal o lance mesmo de O Doutrinador é a adrenalina e a parte técnica bem executada.

As cenas de ação são bem dirigidas, os efeitos são bons, a fotografia é particularmente inspirada, com tomadas incríveis da cidade de São Paulo e belos momentos em topos de prédios bem estilo Demolidor e Batman. As locações são belíssimas como um todo, até os lugares mais decadentes chamam atenção.

Agora para os amantes da música, a trilha sonora é um verdadeiro presente. Heavy Metal, punk, rap nacional (com o Rincon Sapiência e uma letra fortíssima) dão o tom de resistência e luta contra o sistema falido e corrupto brasileiro. A atenção aos detalhes é incrível: da luz ao som, do treinamento de combate, à cenas de corruptos rindo dos brasileiros.

O longa ganha também com o alto nível das atuações. Pissolato está muito bem nas cenas de ação e também nos momentos dramáticos. Definitivamente convence como anti-herói fodão. A hacker Nina, interpretada pela ótima Tainá Medina, também está incrível e a dupla tem uma ótima química em tela. Marília Gabriela aparece bem, com muita seriedade e sempre convincente no papel de uma ministra corrupta. Ela merecia mais espaço.

O Doutrinador é um filme surpreendente, empolgante e muito bem produzido. É prova da qualidade do cinema nacional e nos faz querer ver cada vez mais filmes de ação ambientados por aqui, com temas próximos ao nosso povo e com críticas sociais, políticas e econômicas relevantes. Agora, em um dos momentos mais sombrios do país, mais do que nunca. Só é uma pena esse filme ter sido lançado após as eleições de 2018 e não antes delas.

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