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Construção gera empregos, mas enfrenta desafios

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Em 2024, o setor criou mais de 110 mil vagas formais e fechou o ano com cerca de 2,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada (Henrique Vilela/Giro S/A)

A construção civil vem se firmando como uma das grandes forças na geração de empregos no Brasil, inclusive na região de Alphaville e Tamboré, além da capital paulista. Em 2024, o setor criou mais de 110 mil vagas formais e fechou o ano com cerca de 2,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o País, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

“O ritmo seguiu aquecido em 2025, com resultados expressivos ao longo do ano”, afirma Milton Meyer, co-presidente da MPD Engenharia, sediada em Alphaville, Barueri. Nos meses de junho e julho, por exemplo, o saldo foi positivo: mais de 10 mil novos postos de trabalho e cerca de 19 mil, respectivamente.

Segundo Meyer, esse crescimento é explicado, em parte, pelo fato de a construção civil ser um setor intensivo em mão de obra e por movimentar uma cadeia produtiva ampla. Mas também reflete um amadurecimento do setor, com empresas mais estruturadas, que investem em formação, qualificação profissional e em ambientes mais atrativos para quem deseja construir uma carreira. “Na MPD, por exemplo, a geração de empregos está diretamente ligada ao investimento contínuo em desenvolvimento humano, capacitação técnica e fortalecimento da liderança, garantindo um crescimento sustentável”, ressalta.

Por outro lado, a escassez de mão de obra qualificada segue como um dos principais desafios da construção civil, especialmente nos canteiros de obras. “Além disso, o setor enfrenta dificuldades para atrair jovens para funções iniciais, o que reforça ainda mais a importância de programas estruturados de capacitação e formação profissional”, destaca ele.

Victor Coelho, gerente de obras da CNL Incorporadora, também aponta a escassez de mão de obra qualificada – especialmente em funções como pedreiros, carpinteiros e mestres de obra -, além da dificuldade em atrair e reter jovens – sobretudo para cargos iniciais, como ajudantes e aprendizes – como alguns dos principais gargalos para a contratação no segmento. “Dados do Sinduscon-SP indicam que a idade média do trabalhador da construção civil gira em torno de 41 anos, evidenciando o envelhecimento da força de trabalho e a baixa renovação do setor”, diz Coelho.

Apesar desse cenário desafiador, a CNL afirma que os prazos das obras não têm sido impactados, em razão do trabalho com fornecedores parceiros consolidados e da adoção gradual de sistemas construtivos mais industrializados, que reduzem a dependência de mão de obra intensiva.

Coelho destaca que a geração de empregos na construção civil é impulsionada principalmente pela retomada e pelo lançamento de novos empreendimentos, tanto residenciais quanto comerciais e de infraestrutura. “A execução simultânea de obras públicas e privadas amplia a demanda por mão de obra. Soma-se a isso o baixo nível de industrialização do setor, que mantém elevada a necessidade de trabalhadores nas frentes de obra.
Além disso, a construção civil possui uma cadeia produtiva ampla, envolvendo indústria de materiais, logística e serviços técnicos, o que amplia o impacto na geração de empregos formais”, acrescenta.

Para Moses Fliter, conselheiro da RSF Incorporadora, a construção civil enfrenta hoje um desafio que vai além da falta de vagas: a falta de interesse das novas gerações. Segundo ele, nem mesmo os filhos de pedreiros — e, muitas vezes, os de engenheiros civis — demonstram vontade de seguir a profissão do pai. “Ser pedreiro deixou de ser visto como uma carreira de status nos dias de hoje. Soma-se a isso o fato de que há influenciadores pedreiros, que fazem ironia da profissão”, afirma Fliter.

O consultor da RSF também destaca uma transformação positiva nos canteiros de obras: a presença cada vez maior das mulheres. Segundo ele, muitas entram ainda no início da graduação, como estagiárias, e constroem um plano de carreira sólido dentro da própria empresa. “Com elas, a obra é mais organizada e limpa. São profissionais atentas, sensíveis aos detalhes e mais perfeccionistas, o que resulta em menos retrabalho e menos problemas ao longo da execução”, afirma.

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(Divulgação/CNL Incorporadora)

Construção civil: qualificação profissional

A MPD conta, hoje, com mais de mil colaboradores diretos. “Isso exige um olhar constante para atração, desenvolvimento e retenção de talentos. Nosso foco não é apenas crescer em número, mas garantir que as pessoas estejam preparadas e alinhadas à cultura da empresa”, afirma Meyer.

Na construtora, a resposta para o cenário desafiador referente à mão de obra no setor tem sido investir fortemente em capacitação e inclusão. “Entendemos que, mais do que contratar, é preciso formar profissionais, oferecer perspectiva de crescimento e criar um ambiente onde as pessoas se sintam valorizadas. Isso ajuda não só a reduzir impactos operacionais, mas também a construir equipes mais engajadas e comprometidas com os prazos e a qualidade das entregas”, destaca ele.

Por meio do Instituto MPD, a empresa desenvolveu programas como o “Construindo Letras”, que promove a alfabetização de colaboradores dos canteiros de obras e já impactou mais de 300 pessoas. Já o “Inclusão Digital” amplia o acesso a conhecimentos de informática, internet e educação financeira. A MPD possui ainda programas de capacitação técnica em áreas como elétrica, hidráulica, pintura e assentamento cerâmico, fortalecendo a qualificação da mão de obra operacional.

No campo da formação e atração de novos talentos, a MPD conta com o Programa Jovem Aprendiz, realizado em parceria com o CEPAC Barueri e voltado a jovens em situação de vulnerabilidade social para atuação em áreas administrativas, e o Programa de Trainee, com foco nas áreas de engenharia civil. “Por fim, a MPD investe de forma contínua na Trilha de Liderança, voltada ao desenvolvimento de gestores, com resultados consistentes em engajamento, performance e maturidade de gestão, garantindo um crescimento sustentável e alinhado aos valores da companhia”, acrescenta.

A CNL Incorporadora também apoia de forma contínua a qualificação profissional de seus colaboradores. “A empresa está implementando um programa de formação pedagógica nos canteiros de obras, além de custear cursos de capacitação profissional para suas equipes”, afirma Victor Coelho.

Moses Fliter, consultor da RSF Incorporadora, também é adepto da é a favor do treinamento para minimizar o desafio de mão de obra na construção civil. “Contamos com escolas técnicas, como as Etecs e Fatecs, onde o estudante sai técnico.

Moses Fliter, consultor da RSF Incorporadora, também defende o investimento contínuo em treinamento como caminho para enfrentar a escassez de mão de obra na construção civil. “Temos escolas técnicas de excelência, como as Etecs e Fatecs, onde o estudante já sai com formação técnica, pronto para ingressar no mercado de trabalho e atender às demandas da construção”, destaca ele.

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Milton Meyer, co-presidente da MPD Engenharia (Divulgação/MPD)

Mercado segue aquecido na região

Para os entrevistados pelo Jornal Giro, Alphaville e Tamboré se consolidaram como polos altamente dinâmicos, concentrando empresas, serviços, operações logísticas e um público que mantém uma demanda constante por novos empreendimentos. “Trata-se de áreas estratégicas, com infraestrutura madura e localização privilegiada, fatores que sustentam um fluxo contínuo de investimentos. Soma-se a isso uma demanda represada nos últimos anos, que começa a se transformar em novos projetos, tanto no segmento residencial quanto nos empreendimentos corporativos e industriais”, afirma Milton Meyer, da MPD.

Ou seja, a perspectiva para 2026 é positiva. Para Victor Coelho, da CNL, os imóveis de Alphaville apresentam vantagem competitiva em relação aos preços praticados na capital paulista, além de maior potencial de valorização e retorno. “Barueri, por exemplo, se destaca entre as cidades com os maiores valores de locação por metro quadrado. Além do aspecto financeiro, a questão da segurança tem peso relevante na decisão de compra, atraindo moradores que buscam melhor qualidade de vida, sem abrir mão da proximidade com São Paulo”, explica o profissional.

Em 2026, a incorporadora prevê dobrar o número de canteiros de obras. “Projetamos um aumento de, aproximadamente, 20% nas contratações diretas e de até 50% nas contratações indiretas, em comparação com 2025”, finaliza ele.

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Victor Coelho, gerente de obras da CNL Incorporadora (Divulgação/CNL)

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