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Como começar a investir ainda em 2025?

Além de definir a composição da sua carteira, é preciso aprender a lidar com o fator emocional na hora de investir. Saiba mais com o especialista
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Ter uma estratégia bem definida para compor e diversificar sua carteira é primordial (Divulgação/Freepik)

Além de definir a composição da sua carteira, é preciso aprender a lidar com o fator emocional na hora de investir. Saiba mais com o especialista

Logo no início da entrevista com Marcelo Audi, sócio-fundador da Cardinal Partners – gestora especializada em ações, multimercado e renda fixa -, fizemos a pergunta que muitos iniciantes no mundo financeiro se fazem: quais são os melhores investimentos para aplicar seu dinheiro? Antes de listar qualquer opção, Audi destaca um ponto crucial, muitas vezes ignorado: a disciplina de investimento.

“Mais importante do que o produto em si é ter uma estratégia bem definida para compor e diversificar sua carteira – e, principalmente, segui-la sem mudar de direção a cada oscilação do mercado”, afirma. Segundo ele, esse é o verdadeiro desafio do investidor individual: manter a racionalidade diante de um cenário dominado pela emoção.

De acordo com o especialista, muitas vezes, os erros das nossas decisões ocorrem porque somos movidos pela euforia. Isso pode levar a compra de ações, por exemplo, quando o melhor momento seria a venda delas, e vice-versa. “É preciso definir a composição da nossa carteira, o que queremos em termos de curto, médio ou longo prazo. O investidor pode procurar uma consultoria para auxiliar no planejamento de sua carteira de investimento”, ressalta.

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Marcelo Audi, sócio-fundador da consultoria Cardinal Partners (Arquivo Pessoal)

Liquidez: definindo a carteira

A forma como montamos nossa carteira de investimentos deve estar diretamente ligada à nossa necessidade de liquidez. “Quanto maior for a nossa poupança – aquele dinheiro que não precisamos no dia a dia -, menor pode ser a nossa liquidez e vice-versa”, diz Audi, que exemplifica com o caso de uma pessoa em início de carreira, com pouco patrimônio acumulado e que, portanto, depende de mais liquidez, já que pode precisar daquele recurso no curto prazo.

No outro extremo, Audi cita o perfil da classe A. “Este tipo de investidor costuma possuir uma poupança maior, que não precisará ser usada no curto prazo. Isso permite aplicar uma parcela maior da sua carteira em ativos que dependam mais do longo prazo para obter um retorno atrativo”, aponta.

Portanto, foque no prazo do seu investimento: quanto você quer ter no curto, no médio e no longo prazo? “Para um investidor tradicional, que não é profundo conhecedor do mercado, considero curto prazo com duração de um ano, ou seja, quanto do seu patrimônio você precisará nos próximos 12 meses”, diz Audi.

O médio prazo gira em torno de dois, três anos; e o longo, quatro anos ou mais. “Quanto menor for o percentual do seu gasto anual em relação ao tamanho do seu patrimônio, mais você pode se dar ao luxo de investir no longo prazo e vice-versa”, complementa o sócio da Cardinal Partners.

Investimentos em renda fixa

Confira os principais tipos de investimentos em renda fixa. Mas, atenção: apesar do nome, isso não significa que o valor desses títulos seja estático. “O preço varia, sim. Quando os juros sobem, o valor dos títulos cai; e vice-versa. Existe, sim, volatilidade”, explica Marcelo Audi.

– Fundo DI e CDB

Os principais ativos de liquidez imediata são os ligados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), como o fundo DI e o CDB (título emitido por bancos). “Eles proporcionam rendimento pós-fixável em função da taxa básica de juros, a Selic, e têm liquidez imediata”, explica Audi. O CDB pode ter prazos de carência mais longos.

“O investidor tem, exatamente, a visibilidade de quanto vai render. O Copom subiu a taxa de juros para 15%. Então, receberá 15% ao ano enquanto estiver nesse investimento. Se amanhã, a Taxa Selic reduzir para 14,5%, por exemplo, a partir daquele dia, renderá 14,5% ao ano. Eu sei precisamente, dia a dia, o quanto irei receber”, acrescenta.

Ambos possuem valores mínimos de aplicação acessíveis, além de terem cobrança de Imposto de Renda e IOF (para resgates antes de 30 dias).

– Título de IPCA+ e Título Pré

Rende o juro real mais a variação da inflação. “É um título muito importante no Brasil porque temos o risco de inflação mais alta em relação aos nossos pares de países emergentes”, afirma o especialista.

Mais arriscado que o IPCA+, o Título Pré é totalmente pré-fixado, sem a proteção da inflação. Mas, é uma alternativa de diversificação dentro da renda fixa.

Em ambos, é possível ter títulos com vencimento a mais curto ou longo prazos. Quanto mais longo o prazo de vencimento daquele título, mais volátil ele vai ser, e vice-versa.

– Debêntures                     

Dentro do universo da renda fixa, uma das alternativas que vem ganhando espaço são os títulos de crédito privado – alguns deles com isenção de imposto de renda para a pessoa física, como as debêntures incentivadas, emitidas por empresas. Mas, não esqueça: é primordial conferir o balanço da empresa e se ela possui dívidas.

Na hora de escolher o melhor investimento, lembre-se que o imposto é um componente da equação. Logo, é importante analisar se a rentabilidade do título sem o imposto é atrativa ou não.

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(Divulgação/Freepik)

Títulos de renda fixa que pagam cupons

Vamos supor que você quer ter um rendimento mensal. Isto é possível com renda fixa? Sim. “Neste caso, a pessoa deve priorizar os títulos que pagam o chamado cupom, que paga juros semestrais diretamente na sua conta, além do valor no resgate do seu investimento”, explica Audi.

– Ações

Por definição, são investimentos mais de longo prazo, exigindo um horizonte de, pelo menos, 2, 3 anos.

Em ações, o investidor não sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, ao contrário da renda fixa. “Se a empresa tem mais lucro, o dividendo será maior, e vice-versa”, ressalta o especialista. Algumas empresas que, pela condição do seu balanço, possuem uma política de dividendos mínimos pagos regularmente.

– Investimento no exterior

O investimento fora do País traz uma diversificação de moeda. “Se a nossa vida é toda no Brasil com custo em reais, teremos uma locação menor em investimento no exterior. Agora, se temos uma boa parcela do nosso gasto lá fora, podemos considerar essa locação no exterior”, explica Audi. Locação é o percentual da carteira que será direcionado para aquele investimento, dependendo do seu custo de vida.

– Fundos alternativos

Outra opção de investimentos são os fundos. Os fundos de ações possuem liquidez. Logo, as ações podem ser vendidas no momento que o investidor preferir.

Já os fundos private equity investem em empresas que não estão listadas na Bolsa e Valores. “Por não possuir liquidez, é um investimento a longo prazo, de 5, 7 ou até 10 anos”, enfatiza Audi. Fundos imobiliários também requerem um horizonte mais longo.

IOF: riscos aos investimentos                                 

Agora, está em discussão, no Supremo Tribunal Federal (STF), o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O Supremo determinou uma audiência de conciliação no dia 15 de julho para tentar um acordo entre Governo Federal e Congresso Nacional.

Após este processo complexo, caso seja definido pelo aumento do IOF, quem investe pode ser prejudicado, segundo o especialista. “O preço dos títulos de renda fixa e das ações vão cair, já que o risco da economia aumentou. Além disso representa um custo maior nas transações”, explica Audi. Dependendo do tipo de investimento, a melhor decisão pode ser justamente não mexer na carteira.

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