Uma clínica em Barueri está entre os alvos de uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de fraudes envolvendo clínicas voltadas ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A ação foi deflagrada no dia 30 de abril pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 60 milhões.
Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista, além de Barueri, Mogi das Cruzes e Jacareí.
Auditorias realizadas durante a apuração indicam distorções expressivas entre os atendimentos registrados e os efetivamente realizados. Em alguns casos, clínicas teriam cobrado até quase 100 vezes mais sessões do que as realizadas. Há registros de pacientes com mais de 400 horas mensais lançadas, enquanto relatos de familiares apontam frequência muito inferior.
Em um dos exemplos analisados, um plano de saúde identificou que uma criança teria recebido 416 horas de atendimento em um mês. O responsável informou que o filho frequentava a clínica apenas uma vez por semana, com sessões de cerca de 50 minutos.
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Relatos de pais também fazem parte da investigação. Segundo depoimentos, responsáveis eram orientados a assinar documentos com registros de múltiplas sessões no mesmo dia, mesmo quando apenas um atendimento havia ocorrido.
A apuração ainda aponta o uso indevido de sistemas das operadoras, com registros de presença feitos por funcionários e tentativas de burlar mecanismos de validação, como reconhecimento facial. Em um dos casos investigados, uma profissional chegou a lançar 706 horas de atendimento em um único mês.
Além dos prejuízos financeiros, a Polícia Civil destaca que o esquema pode ter afetado diretamente os pacientes. Crianças teriam sido submetidas a diagnósticos inadequados e terapias incompatíveis com suas necessidades.
A ofensiva, denominada Operação Descredenciamento, é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), responsável por apurações de crimes de estelionato e contra a fé pública. Cerca de 40 policiais civis participam da ação, com apoio de 17 viaturas.
Os materiais apreendidos serão analisados para aprofundar a investigação e identificar possíveis novos envolvidos. Os investigados podem responder por crimes como estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a saúde pública.
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