Varíola dos macacos: região metropolitana oeste da Grande São Paulo está em alerta

Considerada de baixa letalidade (entre 3 e 6% nos países fora da África e Europa), esta zoonose preocupa pelo alto grau de contaminação
"A principal medida para não ser infectado é evitar contato com indivíduos com caso confirmado", diz o infectologista  Bernardo Almeida (Divulgação/Freepik)

As secretarias municipais de Saúde da região metropolitana oeste da Grande São Paulo já estão informadas e devidamente preparadas para uma possível chegada da varíola dos macacos (monkeypox). Na cidade de Osasco, por exemplo, o secretário de Saúde, Fernando Machado, falou recentemente (final do mês de maio) sobre a doença na Audiência Pública de Prestação de Contas do 1º Quadrimestre da pasta, organizada pela Comissão Legislativa de Saúde e Assistência na Câmara Municipal. Na data, ele avisou que já estava encaminhando para os gestores da área as notas técnicas sobre protocolos. "A disseminação é mundial e, mais cedo ou mais tarde, ela deve chegar na cidade", declarou.

Em Cotia, a Vigilância Epidemiológica do município informou que todas as unidades de Saúde municipais já receberam o comunicado de alerta para esta varíola específica. "Todas as unidades foram orientadas a encaminhar imediatamente à Vigilância toda notificação de casos suspeitos e isolar o paciente que passará por avaliação médica na área hospitalar ou em residência. A contaminação por varíola dos macacos é uma situação que deixa as autoridades em alerta em todas as regiões do município, independentemente de ser uma área nobre (por conta de viagens internacionais), pois mesmo nas regiões menos favorecidas economicamente, temos grande trânsito de pessoas em mobilidade para trabalho, estudo e outras."

Também em Itapevi, a Secom informou que a cidade adotará o protocolo de procedimentos baseado nas orientações da secretaria de Vigilância em Saúde do ministério da Saúde, que seguem as orientações fornecidas por meio de circular enviada aos municípios paulistas no dia 16/6/2022. "Em caso de suspeita da doença, o atendimento inicial deverá ser realizado, preferencialmente, nas UBSs, indicando-se internação hospitalar para os casos que apresentem sinais de gravidade. No momento do acolhimento, o paciente deverá receber uma máscara cirúrgica, com orientação quanto ao correto uso, e conduzido para uma área separada dos outros usuários. O paciente deverá ser mantido isolado (precauções para contato e gotículas). As lesões de pele em áreas expostas devem ser protegidas por lençol, vestimentas ou avental com mangas longas e a Vigilância Epidemiológica notificada imediatamente."

Barueri divulgou que está seguindo o protocolo estadual com as orientações sobre a doença. "Todas as unidades municipais de Saúde já receberam o protocolo e já existem reuniões para discutirmos e alinharmos questões sobre os fluxos e alterações que se fizerem necessárias. Não há casos em Barueri, porém estamos em alerta", afirma a Secom do município.

Mas afinal, o que é a varíola dos macacos?

Confira esta entrevista exclusiva dada ao Giro S/A pelo médico Bernardo Almeida, infectologista e chefe médico da Hilab - Laboratório de Análises Clínicas Remoto

Giro S/A. Quais são os principais sintomas da varíola do macaco?
Bernardo Almeida. Podem ocorrer pródromos (indícios) como febre, mialgia, fadiga, dor de cabeça e linfonodomegalia, que precedem as lesões cutâneas em aproximadamente dois dias. As lesões cutâneas são nódulos de 0,5 a 1 cm, de distribuição centrípeta e disseminadas, que duram em média 12 dias.

Giro. Qual é o modo de contágio?
B. A. Primariamente por contato das lesões cutâneas, até que todos estejam na fase crostosa. Porém, há a possibilidade de transmissão por gotículas ou aerossol em situações de contato íntimo e prolongado ou de pacientes imunossuprimidos. Apesar de o contato ser tida como a principal via de transmissão, não está claro o quanto as outras vias podem contribuir.

Giro. Como é o tratamento?
B. A. Suporte clínico. Há antivirais com efeito contra o vírus, mas não são usados para casos não graves.

Giro. Há risco de morte? Existem sequelas?
B. A. Na África, local onde o vírus já circula de forma endêmica, a letalidade varia de 1 a 30%. Porém, não ocorreram óbitos até o momento no atual surto de regiões não endêmicas, em grande parte na Europa. Um surto anterior de 70 e poucos casos em 2003 nos EUA não teve óbitos. Isso sinaliza que a estrutura de saúde local pode influenciar o risco de óbito.

Giro. Qual é o caso zero e qual o número de casos no Brasil atualmente? Quantos casos já existem no mundo e quais os países mais afetados?
B. A. O primeiro caso no Brasil foi em um homem de 41 anos com história de viagem para Portugal e Espanha, países que possuem circulação do vírus. Já são cinco casos no Brasil até o momento, todos considerados importados. No mundo, há 1.804 casos confirmados, com o Reino Unido sendo o país mais afetado.

Giro. Há alguma maneira de conter a transmissão desta doença no país? Se sim, quais são?
B. A. Sim, através do reconhecimento precoce de um caso, com isolamento. Além disso, identificação, vacinação e monitoramento dos contatos próximos. A triagem de casos através de questionário nas áreas de fronteiras é altamente recomendada.

Giro. Quem está vacinado com vacinas contra a varíola não está protegido também?
B. A. O risco de desenvolver doença e as complicações é menor entre os vacinados, mas não se e nem o quanto essa proteção se mantém ao longo de décadas.

Giro. Quais os protocolos específicos para esta doença? Eles já existem no Brasil?
B. A. Já há protocolos da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde do Brasil sobre suspeição, notificação e conduta.

Giro. Como o indivíduo pode se proteger dessa varíola? Usar máscaras ajuda?
B. A. A principal medida é evitar contato com indivíduos com caso confirmado. Ainda não está claro o quanto as máscaras podem contribuir para a prevenção da disseminação da doença.

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Terça, 09 Agosto 2022

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