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Especial 11 anos: Jornalismo relevante e valorizado

"O jornal impresso é documental e com a democratização do acesso ao conteúdo digital ganhará outra forma de relevância, ou seja, será importante exatamente pelo aspecto físico do papel, para assuntos e análises pós-fato que também serão importantes", afirma Renato Delicato Zaiden, presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ).

Para ele, jornais e revistas tendem a se tornar produtos gourmet, a serem degustados com o mesmo prazer e ritual que se toma um café da manhã, um chá ou se saboreia um prato elaborado.

"Inegavelmente num mundo tecnológico onde todo mundo está ligado ao mundo todo, de forma imediata e sem barreiras de distância, o jornalismo regional tem total relevância justamente por fazer o papel de manter a identidade das pessoas, a proximidade deles pelas afinidades com valores, lugares, pessoas, hábitos e costumes. Em resumo, é o que nos mantém ligados às nossas raízes."

Em sua análise, a realidade está mostrando que os avanços são irreversíveis, mas há um papel permanente para a informação chancelada pelo jornalismo tradicional, responsável, que apura os fatos e comprova sua veracidade e além disso opina, explica, avalia e assume a responsabilidade pelo que publica. Os "fatos" são valorizados graças aos "fakes".

"Hoje as coisas estão um pouco confusas na cabeça do receptor das mensagens, que ainda confunde jornalismo com outros conteúdos, mas a tendência é que isso fique bem diferenciado, o que será muito bom para quem é profissional da área", considera.

Zaiden cita que nos EUA, mais de 80% dos impressos são pequenos jornais locais, que se sustentam e também aos seus proprietários e se mantém saudáveis e rentáveis, porque essas comunidades entendem e apoiam a sua relevância, os empresários anunciam e os mantêm em seus planos de mídia", afirma.

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