Cotia: R$ 122 mil foram apreendidos nas casas dos secretários de Meio Ambiente e de Negócios Jurídicos

"Operação Nerthus" busca desarticular organização criminosa que promove loteamento clandestino de terrenos, revela Ministério Público de SP
O Parque das Nascentes considerado como Área de Proteção Permanente (APP) e conta com 13 nascentes (Divulgação/MP-SP)

Na última sexta-feira (24), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão contra agentes e servidores públicos envolvidos em esquema ilegal de desmatamento e corrupção, numa área de preservação ambiental de Cotia. Ao todo, 15 determinações de mandados de prisão e 19 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça.

Segundo informações do portal de notícias "G1", entre os investigados estão secretários ligados à prefeitura de Cotia. São eles: Gustavo Fernando Gemente Nascimento, da pasta do Meio Ambiente; Sergio Folha, da pasta de Habitação e Vitor Marques, de Assuntos Jurídicos.

Ainda de acordo com o "G1", um policial militar ambiental de Cotia e um policial civil de Embu das Artes foram presos. Segundo o MP-SP, outras ações ocorreram nos municípios Sumaré, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista. Cerca de R$ 200 mil foram apreendidos durante as buscas.

Entenda o caso
A "Operação Nerthus" busca desarticular uma organização criminosa que pratica crimes contra a lei de parcelamento do solo, contra o meio ambiente e de corrupção ativa e passiva na região do município de Cotia. A promotoria identificou uma organização criminosa que atua desde meados de 2018 no Parque das Nascentes, no município cotiano.

As averiguações começaram a partir da "Operação Fast Track", deflagrada em novembro de 2020, quando se identificou e desarticulou célula jurídica da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), denominada "Setor Universo". Com base nos elementos colhidos naquela investigação, também presidida pelo Gaeco, identificou-se uma organização criminosa que atua desde meados de 2018 no Parque das Nascentes

Segundo o "G1", a área de Mata Atlântica foi doada pelo órgão estadual Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) à prefeitura de Cotia, como compensação ambiental durante a construção do trecho oeste do Rodoanel Mário Covas. O espaço é considerado como Área de Proteção Permanente (APP) e conta com 13 nascentes.

O desmatamento na área começou em 2019 e se intensificou durante a pandemia do coronavírus. Ainda de acordo com o "G1", os criminosos derrubam as árvores e fazem um loteamento clandestino. Os terrenos são vendidos por cerca de R$ 20 mil.

"A região tem sido alvo da organização criminosa investigada, que passou a implantar loteamentos clandestinos. Para tanto, utiliza-se de mecanismos agressivos de desmonte ambiental, o assim denominado 'correntão'. Além de gravemente lesivo à flora, a prática resulta em alta mortandade de animais, que não conseguem fugir", afirmou o MP-SP.

Além disso, descobriu-se que atividade criminosa dependia da conivência e participação de agentes públicos e políticos, que ocorre por meio de atos de corrupção.

A Prefeitura de Cotia emitiu a seguinte nota:

A Prefeitura de Cotia informa que a operação ainda está em curso e que acompanha o andamento dos trabalhos. A administração municipal está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Tão logo tenha acesso aos autos, poderá se pronunciar sobre o assunto.


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Terça, 09 Agosto 2022

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