O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, matou dois colegas de profissão após discussão sobre contratos de licitações. O crime aconteceu em 16 de janeiro deste ano na frente de um restaurante em Alphaville, Barueri.
A queixa foi feita pelo promotor de Justiça Vitor Petri. Para o jurista, o acusado cometeu os homicídios com as qualificadoras de motivo fútil, causando perigo comum, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e com uso de arma de fogo restrita. A Promotoria requereu a manutenção da prisão preventiva do denunciado.
“Na noite dos fatos, o acusado estava em um restaurante situado em Alphaville quando encontrou dois médicos com quem já havia mantido relação profissional. Após uma discussão envolvendo contratos de licitação, o denunciado agrediu fisicamente uma das vítimas, sendo contido por funcionários do estabelecimento, enquanto a outra tentou intervir em defesa do colega. A Guarda Civil Municipal foi acionada e chegou rapidamente ao local, tentando acalmar os ânimos”, destacou o MP-SP.
No entanto, já do lado de fora do restaurante e em rua de intenso movimento, o médico sacou uma pistola de calibre 9mm e efetuou diversos disparos contra as vítimas, surpreendendo-as e atingindo-as fatalmente, mesmo na presença de guardas municipais e de frequentadores de outros estabelecimentos da região de Alphaville.
Alphaville: médico citou disputa por contratos antes de duplo assassinato
Segundo a Polícia Civil, Carlos Alberto chegou armado ao restaurante, em Alphaville, e relatou briga por contratos. No momento do ataque, ele foi até onde a bolsa estava, pegou a arma e efetuou os disparos.
O acusado também já havia sido preso no ano passado pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, Carlos Alberto prestou depoimento na tarde de terça (20), onde admitiu que a discussão com a vítima Luís Roberto ocorreu por causa de contratos na área da saúde.
Os dois mantinham empresas no setor de gestão hospitalar e se tornaram concorrentes. Já em relação a Vinicius, ele disse que não o conhecia.
Ainda conforme o delegado, o médico relatou que estava a caminho do banheiro quando percebeu que Roberto estava sentado em uma mesa e decidiu se aproximar. Ele afirmou que apenas encontrava a vítima ocasionalmente, pelo fato de ambos morarem em Alphaville.



Crime ocorreu em frente ao restaurante El Uruguayo, em Alphaville (Redação/Giro S/A)
O indivíduo contou que, ao chegar perto da mesa, Roberto teria falado para que ele parasse de atrapalhá-lo com os seus contratos. Teria citado São Bernardo do Campo e pedido que ele “deixasse o contrato de lado”.
Ainda segundo o depoimento, Roberto teria dito para Carlos Alberto “ficar esperto”, momento em que ocorreu um tapa, dando início à briga. A confusão foi contida, e o depoente afirmou que retornou ao local onde estava antes.
Pouco depois, a Guarda Civil Municipal (GCM) chegou ao restaurante em Alphaville, e, segundo ele, a situação aparentava estar controlada. No entanto, ao ver Roberto e Vinicius saindo do local, acompanhados de outras duas ou três pessoas, Carlos Alberto disse que acreditou serem seguranças de Roberto e que eles iriam em sua direção.
Carlos Alberto relatou que nesse momento pegou a bolsa, que estava no ombro da mulher que o acompanhava, e foi atrás dos dois homens, efetuando os disparos que resultaram na morte de Roberto e Vinicius.
Segundo o delegado, o médico contou que trabalhou na empresa de Luís Roberto, em Osasco, entre os anos de 2019 e 2020, no Hospital Municipal Antônio Giglio.
As vítimas foram socorridas por equipes de resgate, mas não resistiram aos ferimentos. Vinícius foi atingido por dois tiros, no abdômen e nas costas, e encaminhado ao Pronto-Socorro do Parque Imperial, onde não resistiu e morreu. Já Luis Roberto foi alvejado por oito disparos em várias partes do corpo e levado ao Pronto-Socorro SAMEB Central, também evoluindo a óbito.
Outros depoimentos
Ainda nesta terça, o delegado ouviu a mulher que acompanhava Carlos Alberto no restaurante em Alphaville. Ela não teve sua identidade revelada e afirmou que não sabia que ele estava armado. Disse também que, após a confusão, sua intenção era apenas ir embora do local, motivo pelo qual pegou as bolsas dos dois.
Segundo a declaração, no momento do crime em Alphaville, quando o médico pegou a bolsa que estava no ombro dela, ela imaginou que ele fosse apenas sair do estabelecimento, mas ouviu os disparos na sequência e entrou em estado de choque, afirmando que jamais imaginaria que ele estivesse armado.
Testemunha aponta falha na contenção

Carlos Alberto foi preso em flagrante (Reprodução/Redes Sociais)
Uma testemunha que presenciou os fatos e pediu para não ser identificada afirmou que a confusão começou em uma mesa próxima e foi acompanhada por diversos clientes. Segundo a testemunha, uma das vítimas tentou intervir para defender um amigo durante a briga, o que teria motivado a reação armada do autor.
“A briga começou dentro do restaurante. Todo mundo sabia que ele estava armado. Os GCMs entraram, mas não afastaram a bolsa dele. Após alguns minutos, ele voltou correndo, abriu a bolsa do meu lado, carregou a arma e atirou várias vezes. Foi pânico total. Essa tragédia poderia ter sido evitada”, relatou.
*com informações do portal de notícias G1
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